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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Musicoterapia para todos


Paredes claras, luminosidade, chão de madeira, almofadas, instrumentos musicais. Esse ambiente zen, que muito lembra o clima de uma sala de ioga, é na verdade o setting ideal para sessões de musicoterapia.Tem quem franze a testa de curiosidade ao ouvir as três primeiras sílabas da palavra. Mas, é isso mesmo, terapia com música.

No Brasil há mais de 30 anos, a técnica terapêutica que utiliza sons, música e movimento como forma de tratamento de diversas patologias é pouco difundida por aqui. Ainda em processo de regulamentação como profissão, a musicoterapia é uma das poucas formas prazerosas de aliviar sintomas como estresse, ajudar crianças com problemas de aprendizagem e, até mesmo, a amenizar os sintomas de doenças incuráveis como o Alzheimer. Tudo isso por meio de conhecimentos de medicina, artes, psicologia e filosofia.

Pandeiros, chocalhos, tambores, pianos artesanais, caixas de madeira, violão, flautas, canções, canto, estalo de dedos, palmas e outros "barulhos" feitos com o próprio corpo. Os musicoterapeutas estimulam seus pacientes a utilizarem esses instrumentos como forma de expressão. Enquanto isso, o comportamento corporal e a forma como a pessoa constrói as sonoridades são analisados. Não é necessário ter noção musical e pouco importa qual o tipo de problema psicológico ou físico que você apresenta.

Musicoterapeuta do Centro Benenzon Brasil, Wanderley Alves Junior explica que todos os seres humanos têm um histórico sonoro-musical, que começa a se formar lá no útero das mães. Dos batimentos cardíacos e ruídos causados pelo movimento dos órgãos da progenitora às nossas músicas favoritas de agora. "O trabalho do terapeuta musical consiste em descobrir esse histórico e utilizá-lo como ferramenta para estabelecer um vínculo terapêutico com a pessoa que necessita de ajuda", conclui.

Cérebro e música: tratamento em conjunto

As sessões podem durar de 45 minutos a uma hora e meia. "Tudo depende da necessidade e das limitações de cada paciente, inclusive o valor da consulta", explica Priscila Borchardt, musicoterapeuta e presidente da Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo (Apemesp). No Centro Pró-Autista, em São Paulo, onde ela trabalha como musicoterapeuta de crianças com a deficiência, o trabalho é semanal, dura 50 minutos e pode ser realizado em grupo ou individual.

Assim como com autistas, os portadores de Alzheimer (doença caracterizada pela perda constante da memória) não são curados por esse tipo de terapia. O que existe é retardar ou atenuar os sintomas mais alarmantes. "O processo musicoterapêutico auxilia na qualidade de vida do paciente, pois atua em aspectos como memória (mesmo que por pouco tempo, pois o paciente mantém vínculos com o real por meio de músicas), expressão, comunicação (por meio do não-verbal) e sociabilidade (melhora da relação com familiares e cuidadores)", conta Luisiana Passarini, que atende pessoas com essa patologia no Centro Benenzon.

Além dos exemplos citados, essa terapia alternativa é indicada em casos de transtornos alimentares, distúrbio de comportamento e de linguagem, para promover o auto-conhecimento, recuperação de auto-estima, deficiências mentais como Síndrome de Down, idosos com mal de Parkinson, coma, dependência química, gestação e pós-parto, dificuldade em lidar com o envelhecimento e variadas doenças psíquicas.

"A música e o prazer são os únicos estímulos que percorrem os mesmos caminhos cerebrais da dor. Assim, pacientes com sensação de dor elevada se beneficiam deste tratamento que, em muitos casos, diminui a necessidade do uso de medicamentos".
Gisele Célia Furusava, musicoterapeuta

Em sua clínica, a musicoterapeuta Gisele Célia Furusava organiza sessões em grupos de no mínimo quatro pessoas. Normalmente, o agrupamento é feito por temas, como "Grupo de Professores" ou "Estresse", para que todas as necessidades de cada um dos indivíduos sejam atendidas de forma eficiente.

Ela explica que, segundo estudos, atividades relacionadas ao fazer musical ativam, simultaneamente, a maioria das regiões cerebrais: o hemisfério cerebral direito é responsável pelo processamento da altura, timbre, intensidade, melodia, canto, acordes, sons relacionados a imagens, orientação espacial e o som relacionado à emoção. Já o hemisfério cerebral esquerdo atua sobre o ritmo, duração, prosódia, leitura, elementos de lógica e análise, escrita, seqüências e memória musical.

Texto publicado no site: http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Mulher/Noticia/Musicoterapia_para_todos.aspx?ID=31259

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